Renasci








Prendo-te nas curvas do meu corpo.
Não te deixo ir, antes de mim.
Quando eu decidir partir, vou eu e ficas tu.
Dou-te as melhores lembranças.
As piores saudades.
Não as quero pra mim, fica tu até ao fim.
Prendo-te.
Nos recados que dei.
Nos avisos que fiz.
Nas piores horas, em que me vais lembrar.
E não me vais ter.
Não me vais poder tocar.
Nem abraçar.
Quando for, não te esqueças de mim.
Faz-te vivo até ao fim.
Para me veres, sem ti.
A sorrir. A ser feliz.
Toma conta de ti, mas não te prendas a outro corpo.
Porque o meu permanecerá colado ao teu.
E o meu, estará livre.
Sem ti.
Vais ter em mente, o que fui.
Mais tarde, verás no que me tornei.
Não te prendeste à minha alma.
Perdeste uma figura um tanto rara, confesso.
Não sou perfeita, mas encaixava-me se quisesses.
Nas horas que tiveste, esqueceste-te de lembrar.
Assim que me for, faz-te vivo depois de acordar.
Não quero que te doa, mas será infalível.
Sei que não vou morrer em ti.
Sei que vais tentar voltar atrás.
Redimir-te dos pecados.
Dos erros.
Dos teus.
Mas irá ser tarde.
Sei que quando decido ir, não posso voltar.
Só me deixo ficar até que o prazer permaneça.
Até que a alma se sinta completa.
Mas, nas tuas falhas insanas, fui.
Não me permitiste ficar.
Então quis ir. Porque precisei ir.
Aprendi que somos livres de escolher.
Mesmo que queiramos ficar, antes.
Decidimos o que é melhor para nós, depois.
E, no fim.
Somos somente nós.
A sós.
Sozinha, mas limpa de maus bocados.
De restos.
De metades.
Vi agora.
Quem me completa está tão perto.
Nunca esteve longe.
Sempre esteve em mim.
E presa ao meu corpo.
E à minha alma.
Ao que sou.
Sou eu.

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