Calei-me
O silêncio entranhou-se-me agora na pele,
enquanto mando mensagens para mim mesma. Reparo no vazio, sem o conseguir
preencher. Reparo nas nódoas que ficam, da falta que nos fazemos um ao outro.
Não estamos a sós, estamos sós. Sem a
respiração um do outro. Sem o consentimento das almas. E dos corações.
Agora julgava ter aprendido a estar sozinha,
mas enquanto estive contigo só soube ver que sem ti é muito mais difícil.
Porque dói, e o sorriso torna-se insano. Porque somos um do outro, desde que
nos conhecemos, e se nos mantivermos longe não será a mesma coisa. Sei que
desde o primeiro beijo, foste tu. Desde o primeiro abraço, restauraste a minha
marca humana. Tornei-me mais feliz. Vivemos momentos bonitos, e inesquecíveis.
Seremos inesquecíveis na história um do outro.
Poderá não virar amor, mas o amor irá virar-nos. Irá tornar-nos irrequietos.
Irá beliscar-nos, e incomodar-nos. Daremos por nós nuns loucos. Nus do
espírito, quereremos esvoaçar. E voar. Fugir para longe.
E. Nos reencontrarmos.
Eu sei que, por sermos tão diferentes,
encaixamo-nos como ninguém. Talvez por isso nunca nos deixámos de picar um ao
outro.
Estou trancada a sete chaves. Não me magoem
mais, grito - por favor. Dizes que não
me queres magoar, mas talvez nunca quiseste outra coisa. Contudo, contigo fomos
nós. Juntos, somente a sós. Num jogo de palavras, e de olhares, e de beijos e
parvoíces. Gargalhadas a meio da noite, que nos fizeram chegar a casa fartos de
saudades. Loucos para nos vermos novamente. Mesmo que não o disséssemos era exatamente
isso que estávamos a gritar. Era esse o desejo do corpo que não fala,
estremece. Excita-se no calor do desejo. Agita com a palpitação do peito. E
revive. Sozinho, pela mente.
Não nos daremos por acabados, depois de acabar.
O que ganhámos com pouco irá fazer-nos voltar. Mesmo que não seja no corpo,
permaneceremos no pensamento mútuo.
Tantas diferenças que nos separam, e que ainda
assim, nos unem.
As nossas discussões são constantes.
Não sei se os dois querem o mesmo, e se a
impossibilidade de ficarmos juntos afeta os dois da mesma forma.
Desabafo comigo mesma que não quero roer-me
outra vez por não viver o amor na sua plenitude, com quem mais quero.
Eles não te aceitam. Nem eu consigo aceitar
isso. Mas, não só isso destrói o facto de não podermos beijar-nos todas as
manhãs, ao acordar. Muitos dos teus segredos esquisitos dão-me a volta à
cabeça, e ao estômago que se tenta conter. E que dói. Porque remói.
Tenho andado a doer-me. Mas fica por aqui.
Já sei que as saudades vêm comigo outra vez,
embora com um novo nome. Conseguiste fazer-me esquecer aquele que me
atormentava dia e noite, contudo, deixas-te-te a pesar em mim.
Até quando?
Beijos, da tua Cristina
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