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A mostrar mensagens de 2017

sem luz, mas brilhante

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Sabes quando a tua voz ganha silêncio? E os teus próprios passos congelam? Quando os teus sonhos parece que se perdem, adormecidos? E só assim passas a sentir-te viva? De há uns tempos para cá, sinto-me viva a deixar-me levar. Sinto-me em perfeita consciência de que, estou no caminho certo, apesar de estar no escuro.  Conseguir entender uma forma de viver tão vazia é difícil, mas ao mesmo tempo leve.  Estou numa fase em que a prioridade já nem é amar-me em primeiro lugar. A prioridade é deixar que a vida me traga o que tem de trazer. Mostrar-me o que tem de mostrar de tanto que já vi. De tanto que já senti, agora não sinto mais nada, a não ser paz. Vontade de não sentir. Vontade de me desligar pra poder acordar.  Estou ciente de que, virtuosamente, o universo deu-me a mão. E eu sou crente nele.  Não é uma questão de sentar-me à sombra da bananeira à espera que me caiam os frutos. É uma questão de saber que sofrer e correr não irá fazer com que eles ...

Eclipse

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Em tempos, engolia o ar contigo. Gritávamos juntos. Olhávamos o céu, porque nos pertencia. Ficávamos, no silêncio, para nos podermos ouvir. Mas, com medo, não o fizemos. Falaram-me de ti. Disseram-me que irias ficar, porque seria o certo. Mas sem certezas de nada, eu sempre fui relembrando isso. Por tantas coisas incertas, e por tantas outras certas. Fomos certos para o tempo que teve de ser. Química, e jogo de cintura. Foi só o tempo a tratar de nós. Tão felizes. Em dias de tempestade. Em dias de sol. Parecia um filme de romance. Quem nos escreve, no céu? Fomos tão lindos, embora tudo. Pautas em notas que só nós conhecemos, e que nos deixamos levar agora, assim. Vaziamente. De perfeito estado de espírito. Não irei apagar, porque não posso. Fizeste parte de mim, e o passado contínua connosco algum tempo mais pelo presente dentro. O que faltou, faltou. Sei que a vida não nos permite sempre voltar atrás. Aliás, ela foi feita para ir em frente, porque essa...

uma pequena pausa

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Não chores. Sabes que a farta caminhada feita de becos e poucas saídas, contínua. Viver sem. Não digas, porque pra subir todos temos de amar em silêncio, pelo menos uma vez na vida. Pra descer todos temos de gritar o que o coração pede, sempre. Ficar grata por ter vontade. Porque nem sempre se tem vontade e sem ela não se vai a lugar algum. Por isso peço aos Céus, com o quanto me podem dar, ficar na esperança de dias melhores. Para forças maiores que me hão-de dominar o peito que incha a cada berro interno e que, em vez de explodir, engole na esperança de se apagar e eclodir na luz. Patéticos pensamentos de quem, talvez, ainda não tenha aprendido. Um que estremece e que se cala, e o outro que enlouquece por tanto gritar lá dentro. São cruéis os panos que nos tapam. Transtornavelmente duros. Pedia que se jogásse nos fogos trémulos. Até que ponto seria capaz? Seria honra em ficar, querer respirar um ar puro. Mas até quantas vezes temos de suspirar e ir fundo para conseguir recu...

gótica por dentro

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Não tem nada a ver com não sentir. Considera estar caoticamente perdida, sabem. Enxergar sem querer ver. Carregar medos sem os admitir. Ser uma pedra que faz nascer coisas moles. Escreve em página pouco satisfeita. Está alegremente escura e gótica. Está como deve estar para seguir sem perguntar. Sem sentir necessidade de se encostar e chorar. Porque se for maior o pranto do peito, maior será a força do corpo e da mente. Personalidade estranha, realmente. Que irá fazer ela se não se pode levar de outra forma? Ela escreve sem jeito, despeja-se em peso só para poder sentir que cair às vezes é a solução. E, acordada, sabe que a dor é o que deve sentir para alongar capacidades e perder medos. Ganhar coragem. Se vos disserem que ela ama a dor, dirão que é louca. Os loucos são sempre postos em prato por raspar. Porque sim. Porque são loucos e baralham tudo à sua volta. Dão volta a todas as cabeças normais que por aí andam a vaguear. Porque carregam alma...

Encontrei-o

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E é o quando, que está em jogo.  Esperamos tanto, e fraquejamos tanto, por sonhar tanto. Por querermos sempre mais, e não perceber o que está à nossa frente. E é sempre o quando, que está em tabuleiro.  Fazemos da vida um bicho de sete cabeças, sem entender que primeiro vêm as provas, e depois as recompensas. E os sorrisos. Que não se seguram, ainda que nos fáçamos de fortes. Mesmo que o orgulho da dor que rompeu o peito queira permanecer só porque se acomodou.  Mas, o que é certo, e de facto maravilhoso na vida, é perceber que tudo tem o seu tempo. E que tudo tem bons e excelentes lados. Os bons, são as pedras que nos fazem tropeçar e chorar porque nos magoámos - são bónus para nos tornarmos sempre melhores. Os excelentes, são as alegrias que trazem essas mágoas atrás.  Agora, e hoje.  Sinto-me uma sortuda.  Porque a vida sempre quis o melhor para mim, e eu sempre me deixei levar por ela. Sabia que chorar seria consolo. E...

Primeiro de tudo, amar

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Incapaz de cessar. Fogo que arde sem se ver. Já dizia ele, tão certo daquilo que lhe transbordava o corpo. A alma mal sabia que o sangue era a sua fonte de exacerbadas e súbitas vontades. Sabia que era preciso aprender a ler a carne, para poder satisfazer-se melhor numa leitura a dois. Tinha noção que ler era com os dedos e toda a robustez, jamais com os olhos. O cérebro pouco teria espaço para se intrometer. Se o fizesse, estragaria tudo. Por entre os dedos se lhe ia, saturada de vontade. Fintavam-se em viril sedução. A febre aumentava em modo de explodir-lhes nos corpos o desejo de ficar. Gemiam-se, à média luz, em contraste da que lhes saia do manto físico. Por dentro queimavam rústicas e raras saudades. Convictos suspiros. Olhares desmedidos e cheios de brilho. Revirava os olhos. Entrelaçava os cabelos nas suas mãos, e puxava-os. Agarrava-lhe o tronco com toda a farta loucura que a estragava por dentro.  Ávida rara. Regulada por irregularidades da libido....