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A mostrar mensagens de março, 2016
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No fundo da alma, só sou eu. by Cristina Cherry

Pergunto-me. Porquê.

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Já fui um rebento.  Um rebento de alma.  Fui uma menina alegre. Não por ter motivos, mas por ser forte. Já tive tanto para dar de mim, tanto para mostrar. Tanto para querer viver.  E agora? O que tenho?  Vejo sombras em estradas vazias. Que me descontentam por serem somente aquilo que são: sombras. São escuras. Não têm alma. Não têm um fundo para me desafiar. Não têm brilho para me iluminar.  E agora, quem sou eu?  Talvez seja as próprias sombras que vagueiam pelos caminhos a que me dou, desencontrada de mim. As escolhas de mim própria. De me fazer doer até à última, por ser tola demais. De me sacrificar até ao último segundo, porque amar nunca foi demais para mim. É que no fundo, ser única já foi bom. Ser única já me fez feliz, ainda que por instantes. Contudo, ser única faz de mim solitária. Ser única faz de mim a falha que se torna perfeita a raros olhos. O problema é a escassez desses olhos que me podem ver por dentro e ...

És tu. Sempre Serás.

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ATÉ AO FIM. ÉS TU. O único rosto que ainda consegue fazer-me repensar é o teu. Na calma dos teus passos, que me lembro, via um menino. Safado, mas pequenino.  Lembro-me de ti, com um brilho nos olhos. Como quem olha para um brinquedo e se sente feliz. Um simples brinquedo. Um simples grande grupo de amigos, soltar-te-ia, constantemente, um grande sorriso nos lábios. Rasgar-te os lábios com tão pouco, é gratificante. Viver com tanto, por tão pouco. Amar um coração tão grande como o teu.  Olho em torno de mim, procurando em alguém o que já encontrei em ti. Perdemo-nos.  Agora procuramos nos outros, o que um dia já tivemos. Era falar alto, e tudo se resolvia. Era só gritar, e correr um para o outro com toda a força e vontade. Talvez seja parva por acreditar ainda, que um dia, ficamos juntos. Sei lá, quem ama no fundo é louco. Faz do impossível algo possível. Ou pelo menos acredita nisso. Sou fraca. Transparente. Não disfarço o que sinto, porque a ca...

Ainda te amo

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Pré destinada a fingir. Fingir que não se passa nada. No inconsciente, sobrecarrego de vontades esquecidas. Memórias boas, tuas. Não me esqueceria de maneira alguma, mesmo que tentasse. Só esqueço aos olhos dos outros. E aos teus. Que estão longe, e não me vêem. Mesmo que me desafiem, desconfio. Mesmo que me amem, não consigo. És o problema para o qual não encontro solução. És a solução para os meus problemas. Se está frio na palma das minhas mãos, procura o calor dentro de mim. Não pretendo ter-te nas minhas mãos, porque tenho-te no meu coração. Embora estejas longe, ainda que perto, incito na saudade a tua presença. Tornaste-te presente desde que te toquei os lábios pela primeira vez. Desde que nunca mais me esqueci de ti. Desde que ficaste o amor da minha vida. Desde que foste tu. És tu. És predestinado a mim. Não na terra, para já. Talvez nem nesta vida. Se reencarnar, o corpo não importa. Podemos ser mais bonitos para a próxima, ou ser menos inteligentes, mas havemos d...

Encontra-me no corpo e na alma

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Tentasse não chorar, mas as dor continuaria lá. Tentasse não amar, mas a vontade nunca desapareceria. Tentasse mudar, e a mudança duramente apareceria. Não mudaria. Coração mole que nasce, endurecer é difícil. Assim como o duro, morrer é quase impossível. Quase, mas não é. Não é. De facto, não é impossível. E nada me faz mais forte do que sentir que o meu também pode endurecer. O meu também pode ser frio quando é preciso. Chega até a doer. Doendo, sem se fazer sentir. É o melhor sentimento que se pode ter. É viver na ironia. É mentir, porque não é bom. Não é confortante. Não é quente, e o frio apavora-me. Sentir o gelo entranhar-se nas pregas vocais que estagnam os passos. A palpitação torna-se constante, e tão fugitiva que deixa de fazer sentido querer procurá-la. Capas. E feixes. E mantas. Rendas. Laços e bermudas. Saias. Lençol. Um corpo nu. Só um toque, não suspiro. Não me desmancho. Não há gemidos - nem de prazer, nem de solidão. Deito-me. Seja no chão...

Somos um do outro, por isso espero

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Todas as noites deito-me ao teu lado. Num despiste de corpos, entrelaço-me em ti. Finjo não haver respiração. Transformo-me invisível. Fico perto de ti, para tentar matar a saudade. A saudade que não morre, só aumenta. A vontade que não sacia, só cresce. Não enfarta, não desaparece. Todas as madrugadas, acordo contigo ao meu lado. Beijo-te o rosto. Acaricio-te os lábios, com os meus. Respiro-te em mim. Faço de mim o teu corpo. Faço do que sou, a tua alma. Antes de dormir, desejo-te boa noite. Todas as noites, despisto-me em ti. Francamente, apaixonada. Nunca te esqueci, meu pequeno grande homem. Ainda que morras na terra, não morres em mim. Ainda que eu morra na terra, continuas aqui. Na minha alma, no meu coração. Permaneces vivo, até para além de mim. Porque é mais forte do que eu, e impossível de vencer. Todas as noites, choro sem lacrimejar. Espero incessantemente pelo teu retorno. Acredito que um dia qualquer voltas, nem que seja para me dizeres ‘há tanto ...