Somos um do outro, por isso espero



Todas as noites deito-me ao teu lado.
Num despiste de corpos, entrelaço-me em ti.
Finjo não haver respiração. Transformo-me invisível. Fico perto de ti, para
tentar matar a saudade. A saudade que não morre, só aumenta. A vontade
que não sacia, só cresce. Não enfarta, não desaparece.
Todas as madrugadas, acordo contigo ao meu lado. Beijo-te o rosto.
Acaricio-te os lábios, com os meus. Respiro-te em mim. Faço de mim o teu
corpo. Faço do que sou, a tua alma.
Antes de dormir, desejo-te boa noite.
Todas as noites, despisto-me em ti. Francamente, apaixonada.
Nunca te esqueci, meu pequeno grande homem.
Ainda que morras na terra, não morres em mim. Ainda que eu morra na
terra, continuas aqui.
Na minha alma, no meu coração.
Permaneces vivo, até para além de mim. Porque é mais forte do que eu, e
impossível de vencer.
Todas as noites, choro sem lacrimejar. Espero incessantemente pelo teu
retorno.
Acredito que um dia qualquer voltas, nem que seja para me dizeres ‘há tanto
tempo, Cristina’. E num calado suspirar, responderei ‘esperei tanto’.
É que no fundo, eu sei. Fomos feitos um para o outro.
Contínuo aqui - forte. Mas, preciso de ti.
Contínuo carente do que és. Daquilo que me deste, e que restou saudade.
Do teu toque único de lábios. Do teu jeito de me fazeres estapafurdiar o
sentido disto tudo.
A tua única forma de existires, fez com que eu nunca mais conseguisse
encontrar alguém como tu. Um único corpo, que me fizesse não precisar
mais de ti. Um único beijo, que é só teu. Não o teu corpo, mas a ligação que
temos. Não física, mas espiritual.
És meu, e eu sou tua.
Ainda que distantes, estamos tão perto um do outro.
Estamos ligados pelas estrelas, íman constelar.
Espero-te todas as noites, até acordar e ver-te assim ao meu lado.
Um passo a cada dia.
O tempo passa.
Cada vez mais.
Saudade.

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