Ainda te amo
Pré destinada a fingir.
Fingir que não se passa nada.
No inconsciente, sobrecarrego de vontades esquecidas. Memórias boas, tuas.
Não me esqueceria de maneira alguma, mesmo que tentasse. Só esqueço aos olhos dos outros. E aos teus. Que estão longe, e não me vêem.
Mesmo que me desafiem, desconfio. Mesmo que me amem, não consigo.
És o problema para o qual não encontro solução. És a solução para os meus problemas.
Se está frio na palma das minhas mãos, procura o calor dentro de mim. Não pretendo ter-te nas minhas mãos, porque tenho-te no meu coração. Embora estejas longe, ainda que perto, incito na saudade a tua presença.
Tornaste-te presente desde que te toquei os lábios pela primeira vez. Desde que nunca mais me esqueci de ti. Desde que ficaste o amor da minha vida. Desde que foste tu. És tu.
És predestinado a mim.
Não na terra, para já. Talvez nem nesta vida. Se reencarnar, o corpo não importa. Podemos ser mais bonitos para a próxima, ou ser menos inteligentes, mas havemos de ficar juntos. Algum dia havemos de cair no erro de permanecermos juntos para sempre. Alguma vez iremos errar de uma forma tão perfeita que ninguém vai notar. Ninguém vai criticar, e mesmo que o façam, nós nunca nos importaremos. Porque, acima de tudo, o amor estará em primeiro plano. Serei eu e tu. Nós, para sempre - pelo menos naquela vida.
Mesmo que não sinta no corpo, a alma estará lá para se sentir completa. Amar-te-ei, eternamente.
Ultimamente as palavras andam escassas. Falo pouco. Os pensamentos andam num turbilhão. Vejo-te em todo o lado. Sinto-te em qualquer lugar. Lembro-me, a todo o instante, do que podíamos viver juntos.
Mas, na verdade, estou aqui.
E tu estás aí.
Não estamos.
Juntos.
E pronto.
Por agora, fim.
