Daqui ao céu, amo-te





Escrevo-te hoje, porque ontem já não aguentava o aperto dorido das saudades. Ultimamente só me vem à cabeça a tua imagem e não encontro maneira de a apagar. Marcaste o teu território, mesmo com tantos erros foste o certo. Mesmo tão imperfeito conseguiste ficar dentro de mim. Não tens habilitações para isto, mas conseguiste. Não sou fácil, tu é que encaixaste. Foste a peça mais errada, mas eras a única que faltava para me completares por fim.
Juro que te amo. Mesmo sabendo que quem jura mente, acredita - eu sou diferente. Mesmo querendo beijar-te, o que nos separa é maior do que a própria vontade. As saudades apertam, e mesmo assim não sou capaz de chamar-te. Tenho orgulho de caráter, e não esqueço de maneira alguma aquilo que me fizeste. Foi duro, apesar de tudo perdoei. Foi sujo da tua parte, mas não sinto rancor de nada. Apesar de não esquecer, não me arrependo do que vivi contigo porque foi verdadeiro.
Acredita que te beijei com vontade, e jurei amor eterno sem pronunciar uma única palavra. No brilho dos teus olhos via a sinceridade que me prendia, mas será que me iludi? Parece que sim. Quem prova o contrário?
Um simples toque da tua mão forte e inocente sobre o meu rosto, e eu deixava-me ir. Rendia-me por completo, sem hesitar. Um simples olhar maduro e um abraço de menino frágil, e eu sentia que precisava de cuidar de ti com todo o amor de mãe e mulher. Alimentar-te de amor, e percorrer uma estrada inteira ao teu lado. Dar-te de mim tudo aquilo que pudesse.
Tenho poder. Poder de te amar. O que me enviaram pelo céu, só eu sei. Nunca te contei, e quem sabe se um dia ficarás a saber. O teu nome está escrito no meu destino, embora não saiba por quanto tempo. Não sei se já passou o tempo, ou se ainda virá a hora. Não sei, porque estamos separados.
Porque te revelaste desta maneira? Para além de eu não merecer, tu sabes que quando é quebrada a confiança de uma mulher apaixonada, parte-se o seu coração aos mil bocadinhos. Agora juro de pés juntos que nunca chorei por ti, porque sei que nenhum homem merece o meu sofrimento. Rios de lágrimas são caros para uma única alma, e eu não estou disposta a ficar pobre dessa maneira.
Apesar de tudo, juro que te amo. Não tenho medo que saibas, apenas receio que não tenhas capacidades para valorizar. Eu sei que valorizar uma mulher não é tarefa fácil, porque todas são exigentes. Mas é nos gestos simples que está o segredo.
Ainda assim, lembra-te que dominaste o meu coração. Tenho pena que não tenhas sabido aproveitar, porque ainda hoje eu podia ser tua. Para ser sincera, continuo sem perceber a piada de brincar com os sentimentos – os meus sentimentos.
Embora nenhum homem perceba, as mulheres conhecem o sexo oposto melhor que a palma das suas próprias mãos. Por isso cortam as confianças no primeiro olhar para que não doa no segundo. Todas sabem que haverá sempre um segundo encontro, e a precaução não falha quando a alma está calejada. Ninguém brinca com uma Mulher duas vezes.
Lembro-me agora do nosso primeiro beijo, e, quando estou deitada, na minha cama, tenho vontade de dormir contigo. Só para sentir a tua respiração perto da minha, e olhar-te nos olhos quando me fores irresistível. Beijar-te os lábios que não esqueço, e saborear o sabor do reencontro. Queria esquecer a saudade, mas só a saudade faz lembrar-me de ti. Queria viver sem precisar do teu calor, mas o frio que me consome por vezes é exagerado. Deixaste-me o gelo quando partiste, e a estação de inverno fez questão de se instalar dentro do meu coração.
Juro que não me arrependo. Apesar de ter doído, aprendi que o amor é muito mais do que a perfeição. É a imperfeição que nos completa, e tu és o erro que me compõe.
Até das discussões ficou a saudade da tua voz complacente e do abraço final, quando ficava tudo bem. Dos carinhos que te pertencem e que ficavam meus. É verdade. Sinto saudades. Tenho saudades tuas. Tenho saudades da nossa amizade, e do tempo em que nos encontravamos com um brilho no próprio sorriso.
Cativou-me o teu olhar, e o teu jeito parvo. As tuas conversas sem rumo, e o silêncio do teu olhar sobre o meu. A maneira desconcertada com que dançavas ao ritmo de me acompanhares. A forma com que me calavas, com desculpas provocadoras. A noite que nos dominava nas horas de carência. O sol que nos trazia alegria para compartilhar. Nós amávamos estar um com o outro, e isso fazia-me feliz. Eu era feliz por te ver feliz. Só com o teu jeito eu sorria.
Embora tivesse sido pouco tempo, foi o tempo suficiente para perceber tudo isto sem me conseguir esquecer de ti. Às vezes sou o dia, a própria alegria. Às vezes sou um nada, que sente tudo e um vazio de quem precisa de ser amada.
Não cheguei a dizer-te amo-te na cara, fui errada. Ouviste-me dizê-lo, mas nunca te olhei nos olhos enquanto o dizia, porque tinha medo. Disseste-me tu que eu era a tua vida, estavas certo? Custa acreditar, agora que tudo passou e já nada existe. Parece-me que mentiste, nem sei porquê. Fica a saber que, apesar de tudo, ainda espero no meio do destino errante e indefinido. Espero por ti, e pelos teus beijos sufocantes. Quero que me contes as tuas ideias delirantes, realizar sonhos. Confia-me as tuas histórias de marinheiro sem rumo, e pede-me todas as coordenadas. Quero ser o teu barco a remos, com companhia a dois. Com filhos de futuro, e um amor eterno. Uma vida pela frente, e uma estrada a percorrer.
Agora de longe, observo-te o rosto. Os teus movimentos, passos leves. Amo-te sem arredondamentos, porque o amor não tem medida. És a coisa mais incerta que posso querer, mas és tu. O que posso fazer se eu não sei o que fazer? És tu.
Nunca te falei dos planos que fiz para nós. Tantos eram os pensamentos a teu respeito, que preferia guardá-los para mim. Eras bom demais para ser verdade, tive de acordar. Logo depois do sonho segui em frente. Friamente deixei-me levar, e, por momentos, consegui esquecer-te. Apenas por momentos deixei de precisar de ti.
Trazes a bipolaridade que por vezes esquece, e outras vezes lembra. Se os teus olhos não refletem mais o nosso amor, apaga-te da minha memória. Se ainda sentes o que eu sinto, não te esqueças de mim. Luta, e explica o porquê disto tudo. Vem depressa, e não me deixes partir na hora certa. O tempo passa depressa e se deixar-mos para amanhã aquilo que queremos fazer hoje, poderá ser tarde demais. Por favor, não te arrependas. Eu sei que vai doer.
Quantas dores de cabeça já me deram os parvos pelos quais me apaixonei? Embora tenha doido, eu sei que fiz tudo o que podia ter feito para dar certo. Se não deu, é porque não era para mim. Doeu, mas aprendi. Nunca me arrependi, porque tudo acontece por um motivo, e tu és um deles.
Se um dia nos reencontrar-mos peço-te que não te esqueças de responder às minhas dúvidas, e se me beijares certifica-te daquilo que queres. Pensa na consequência dos teus atos, porque as pessoas têm sentimentos que doem. Pensa em ti e em mim, e naquilo que queres para a tua vida. Prefiro a sinceridade pura e nua, do que uma ilusão sem brilho.

Com saudades despeço-me,
Daqui ao céu, amo-te

Comentários

Mensagens populares deste blogue

a dor é a nossa melhor arma

To a man

Busca