Até ao nosso fim
O problema é ter-te perto de mim. Amar-te tanto desta maneira é tortura, assim prefiro esquecer-te. Só te posso esquecer se estiveres longe de mim. Sem ver-te mais, serei eu. Mesmo lá no fundo, sem querer, pode ser que te esqueça e que te vás de vez, porque ter-te em mim sem ser tua é difícil.
É difícil de ouvir o teu nome, sem poder pronunciar uma única palavra a teu respeito. A vontade é gritar ao mundo que és metade de mim.
É difícil de olhar para uma fotografia tua sem poder estar nela. Custa querer-te tanto, e o tanto não me querer. Então vou apagar tudo o que me faz lembrar de ti. Não vale de nada continuar a pensar em alguém que já nem se lembra de mim. Já passei tanto tempo a fazê-lo, e foi em vão.
Eu sei que quando não estás aqui durante muito tempo, devagar, vou-me habituando à tua ausência. Aceitando, consigo deixar tudo para trás. Consigo deixar a saudade, e as recordações desvanecem-se mesmo nunca desaparecendo, porque já te amei.
Consigo dormir sem falta do teu acordar matinal sobre os meus olhos que brilhavam quando te viam tão cedo, do meu lado. Consigo cantar sem soltar uma única lágrima se, porventura, lembrar-me de ti. Isso tudo por mim, pensando em ti sem ter noção nem querer.
Sei que se te fores, eu vou-me também. Vou -me felicitar as etapas pelas quais passei, porque foste o melhor que tive enquanto chorei. Enquanto magoavas, também curavas. O problema é que ja não choro, mas quando chorei não te foste com as lágrimas e quem se marteriza pela falha agora sou eu. Falha essa, que não te levou de mim.
Foste o nunca e o sempre. Foste tu, e somos nós no pensamento. Por quem me apaixonei. Por quem me esmagou o próprio coração por tantas perguntas insólitas e inconcretas. Tantos porquês sem resposta, sem te lembrares de mim quando eu pensava em ti. Perfeitas voltas à cabeça, e tu na tua.
Com a tua menina de cada dia, beijo de cada hora que te convém; que te satisfaz por mero acaso e sem vero sentimento. Talvez lhes ofereças peças caras da joalharia, jóias de rubi e diamante. Pérolas, ramos de rosas vermelhas. Um café da manhã na cama, à moda brasileira, enquanto os beijos e os toques doces enrolam, porque eu sei que quem devia de estar lá todas as horas era eu. Fizeste questão de trocar a mulher que te amava por dois dias de prazer, que acabaram depois do pequeno-almoço de um quarto fútil de hotel.
Agora espero que te reste a culpa e a vontade de voltar atrás, porque a mim resta-me a saudade e a vontade de te ter aqui. Resta-me a vontade de te agarrar e de te prender a mim, mesmo sabendo que não passa tudo de uma vontade bilateral, que também te detesta e que não quer ver-te mais.
O quão gracioso serias tu se me olhasses. Sinto que me vês aqui e agora, e quando acordo de manhã, ainda de olhos entreabertos, beijas-me focado na paixão que te desvia e desvaneia. Desvia-te do mundo, traz-te para mim. Dentro de mim vives, num casulo que não se quebra. Sabes que não se quebra, porque o meu coração é forte e juro-te que este é o melhor lugar para viveres. É seguro. Podes guardar o teu amor e continuares por aqui uns bons e longos anos, porque eu sei que nós fomos feitos um para o outro mesmo com tantas incertezas que nos separam.
Espera, porque até te pediria mais. Fica até ao fim, acredita que pediria. Até ao nosso fim. Quando, um dia, morreremos juntos de mãos dadas, com um sorriso nos lábios porque nos sentiremos completos e realizados. Não teremos pressa de nada. Deixaremos a vida falar por si e os caminhos acabarão por unir-nos.
Eu sei que não foi um mero acaso, como, pelo contrário, aconteceu com todas as outras. Sendo assim eu sou tua e tu és meu. Nos corpos que se tocam, e no sexo que se distingue. Nos beijos que se querem, e nos lábios que se desejam mutuamente. Nos passeios que se fazem, e nas horas de carência. Nos momentos de fraqueza, e quando dominar o medo e a insegurança. Nos nossos pontos fracos que se completam juntos, porque juntos somos mais fortes. Nada nem ninguém, apenas tu e eu. Temos forças, por isso dá-me a mão. Cobre-te de mim, e eu jogo-me a ti como uma autêntica viciada no jogo. Quero jogar contigo, porque sou autenticamente viciada no teu ser, e na dominação do teu jeito encontro a calma que me falta.
Se pudesse, ler-te-ia estas palavras olhos nos olhos, e deixaria nos lábios que são teus o sabor do que sinto por ti. Se pudesse, seria agora e sem medos. Seria forte e tudo porque o é, só não pode ser.
Deixo, até quando tiver de ser, o tempo falar por si. Tempo aquele que nós fazemos andar com a força do pensamento, e a vontade no coração. Só não estagna nas melhores horas porque não sabemos levá-lo pela manipulação.
Beijos que se contam nos minutos que espero por ti. Os segundos custam entender. Agora as horas não contam, pois quero os anos.
Espero por ti, ou o destino mo dirá
Fica com saudade, de ti despeço-me
Mon Chérie, amo-te

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