gótica por dentro
Não
tem nada a ver com não sentir.
Considera estar caoticamente perdida, sabem. Enxergar sem querer ver. Carregar medos sem
os admitir. Ser uma pedra que faz nascer coisas moles.
Escreve em página pouco satisfeita. Está alegremente escura e gótica. Está como deve
estar para seguir sem perguntar. Sem sentir necessidade de se encostar e
chorar. Porque se for maior o pranto do peito, maior será a força do corpo e da
mente.
Personalidade
estranha, realmente. Que irá fazer ela se não se pode levar de outra forma?
Ela escreve sem jeito, despeja-se em peso só para poder sentir que cair às vezes
é a solução. E, acordada, sabe que a dor é o que deve sentir para alongar
capacidades e perder medos. Ganhar coragem.
Se
vos disserem que ela ama a dor, dirão que é louca.
Os
loucos são sempre postos em prato por raspar. Porque sim. Porque são loucos e
baralham tudo à sua volta. Dão volta a todas as cabeças normais que por aí
andam a vaguear. Porque carregam alma, e a alma não é certa de todo. O certo é
moda. Banal. Quem é pouco comum, é imoderado.
Apaixonado.
Anormal. Altivo.
Não
dá o braço a torcer.
Morre
sozinho.

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