Eclipse
Em tempos, engolia o ar contigo. Gritávamos juntos. Olhávamos o céu, porque nos pertencia. Ficávamos, no silêncio, para nos podermos ouvir. Mas, com medo, não o fizemos.
Falaram-me de ti.
Disseram-me que irias ficar, porque seria o certo. Mas sem certezas de nada, eu sempre fui relembrando isso. Por tantas coisas incertas, e por tantas outras certas.
Fomos certos para o tempo que teve de ser. Química, e jogo de cintura. Foi só o tempo a tratar de nós. Tão felizes.
Em dias de tempestade. Em dias de sol. Parecia um filme de romance.
Quem nos escreve, no céu? Fomos tão lindos, embora tudo. Pautas em notas que só nós conhecemos, e que nos deixamos levar agora, assim.
Vaziamente. De perfeito estado de espírito.
Não irei apagar, porque não posso. Fizeste parte de mim, e o passado contínua connosco algum tempo mais pelo presente dentro.
O que faltou, faltou.
Sei que a vida não nos permite sempre voltar atrás. Aliás, ela foi feita para ir em frente, porque essa é a estrada. E se formos a querer ser justos... sabemos tão bem como nos guardar.
Vou deixar-me por aqui.
Amor não faltou.
Guardo.
Amor não faltou.
Guardo.
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