uma pequena pausa



Não chores.
Sabes que a farta caminhada feita de becos e poucas saídas, contínua. Viver sem.
Não digas, porque pra subir todos temos de amar em silêncio, pelo menos uma vez na vida. Pra descer todos temos de gritar o que o coração pede, sempre.
Ficar grata por ter vontade. Porque nem sempre se tem vontade e sem ela não se vai a lugar algum. Por isso peço aos Céus, com o quanto me podem dar, ficar na esperança de dias melhores. Para forças maiores que me hão-de dominar o peito que incha a cada berro interno e que, em vez de explodir, engole na esperança de se apagar e eclodir na luz.
Patéticos pensamentos de quem, talvez, ainda não tenha aprendido.
Um que estremece e que se cala, e o outro que enlouquece por tanto gritar lá dentro. São cruéis os panos que nos tapam. Transtornavelmente duros.
Pedia que se jogásse nos fogos trémulos. Até que ponto seria capaz? Seria honra em ficar, querer respirar um ar puro. Mas até quantas vezes temos de suspirar e ir fundo para conseguir recuar, dar um passo atrás, e perceber que tudo isto é que faz sentido. Toda a dor é que nos cativa. Toda a fome é que nos faz correr em busca.
Eu perdoaria a todos aqueles que fossem, mas ficar depois de nos ir-mos pra longe, é a chave de encontro a nós mesmos.
Abrir a nós mesmos.
Conhecer a nós mesmos.

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