É o que me resta
Peço-te tantas e tantas vezes, Meu Deus.
Viver é uma coisa tão estranha, que na
maioria das vezes tele transporto-me para um mundo distante daqui. Só para que
ninguém possa ter acesso ao meu vazio. Para que ninguém me possa sentir as
dores. Nem que ninguém me alcance o choro.
Às vezes, sem ninguém ver, rasgo a minha
vontade de ser feliz. Rasgo todos os sonhos. Todos os amores. Todas as
vontades.
É que dói tanto, sem uma única explicação.
É que dói tanto, sem uma única explicação.
Se há coisa que não aceito é viver em
incógnitas. Viver em vazios. Viver sozinha. Mesmo rodeada de pessoas, sinto-me
num deserto todos os dias. É extremamente fora de mim.
Forças
constantes, que me puxam para longe. Mandam-me embora, ainda que eu queira ficar.
Mostram-me todos os dias que não vale o
esforço querer encontrar alguém decente. Alguém complacente ao meu coração
quente, ainda que receba tanto gelo.
É isso que se mantém, e é isso que me
destrói.
Vontade de amor.
Sinceridade.
Ingenuidade. Apenas isso. Mas não encontro.
Talvez não esteja no lugar certo. Talvez
este não seja o meu mundo. Tenha vindo parar a um lugar totalmente fora de mim. Talvez, talvez.
É o talvez que me corrói o corpo e alma.
Sou mais velha do que aquilo que
aparento ser. Tenho rugas, contudo esperança. Mas tenho cicatrizes mal feitas.
Feridas por sarar. Um coração partido aos mil e um grãos de areia.
Será normal ser tão carente e
apaixonada, num mundo onde ninguém me prova ser igual a mim? Ainda que um
bocadinho. Um bocadinho que me possa fazer acreditar que ainda vale a pena a
esperança. Vale a pena continuar. Será?
Um dos meus grandes problemas assenta no
facto de eu não aceitar metades.
Será que não apareces assim do nada, e
és capaz de me dizer:
Cristina, estou aqui.
Agora ouve e escuta:
Dou-te todo o meu
tempo. Horas, minutos, segundos e milésimas de segundos.
Dou-te beijos,
abraços, e cobertores para te aqueceres sempre que te sentires fria.
Dou-te
ainda uma casa cheia de alegria, e nunca faltará amor e gargalhadas.
Dou-te, mais
tarde, uma ou duas crianças lindas para amar-mos em conjunto, porque o meu amor
por ti é maior que o próprio universo, e eu preciso de triplicar isso. Dou-te a
mão, e não ta largo. Dou-te promessas, que não se fazem, mas eu faço. Porque
realmente, sou diferente. Eu mostro-te que sou diferente.
Cristina, amo-te. Todo o sempre. Teu.
E, sem promessas, dar-te-ia toda a minha vida. Assim que me tocasses o coração, saíres de lá seria impossível. Levo uma eternidade para esquecer raridades. Devo ser estranha e ridícula por falar de amor como se não existisse outra coisa na vida. Na verdade, para mim todas as coisas na vida estão baseadas no amor. Assim que te sentes completa, todo o resto passa a ser um mar de rosas. E eu preciso de me sentir num mar de rosas.
E será? Algum dia? Uma hora, ou só num
sonho?
Morro de anseios. Morro por ti que não
te conheço. Morro por completar a alma.
Espero até ao dia.
Até logo.
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