8 de abril. Nunca te escrevi assim.
São poucas as vezes que te escrevo, mas sei que ficará sempre tudo por dizer. Por mais que te dirija as melhores palavras, nunca serão as certas para te descrever. Nunca serão as certas para te agradecer.
Escrevo-te hoje esta carta, tentando redigir a maior parte dos meus sentimentos por ti. É difícil, e digo até, impossível.
És tão importante para mim, que não encontro forma. És o tudo que há em mim. És os nervos. Os sentimentos. As emoções. És a luz, e a escuridão. Quando estás, e quando imagino que podes não estar. Muitas vezes, deitada na cama, sozinha, imagino-te longe. Desenho nos meus pensamentos a possibilidade de te perder, e é horrível. Uma dor tão forte e incontrolável pela qual se fazem derramar lágrimas a fio. Tudo por tua culpa. Tudo por seres quem és. Por seres a alma que me completa.
Explico-te de uma forma que não entendes, e nem aceitas. Mas, amo-te tanto que te faço sofrer a cada vez que te chamo Mãe.
A cada vez que te suplico a cura para os meus males. A cada vez que te choro nos ombros, por não ser quem quero ser. Por não acontecer o que quero que aconteça.
Se tu visses o tamanho do meu orgulho, talvez compreendesses. E, se não soubesses metade do que sou, talvez não me perdoasses por ser tão má filha.
Sou linda. Dentro de ti, sempre serei a tua filha querida. Eu sei, mãe. Não adianta negares. Por mais que te faça sofrer, nunca ninguém conseguirá apagar-me do teu coração. Nem a mim, nem aos teus filhos – a quem deste a vida.
Tantas emoções fracas que me dominam, e, tu é que pagas por todas elas quando tendo a descarregar em ti a vontade de se fazer um milagre.
Porquê? Porque vejo em ti um Deus maior que o Próprio. Vejo uma santa que me pode fazer feliz, de só estalar os dedos – se quiser. E, ficando na expectativa de ter aquilo que anseio, bato contra as tuas ideias. Com a minha maneira de ser tão ‘eu’, eu perco os teus melhores sorrisos a cada dia. Cada vez que te faço irritar. Cada vez que te faço chorar, de certeza.
Fica a saber, que a cada vez que choras, eu morro por dentro.
Sei que não choras só por mim. Sei que choras por não teres realmente o valor que merecias. Sei que choras por não ter uma vida digna de rainha, a qual era tua. Só não a tens, porque o destino preferiu usar-te para ter uma alma mais sábia no céu, assim que partires pela sua vontade.
Mãe.
Nasci de ti. Morrerei por ti.
Não te cruzo o amo-te todos os dias no sol da manhã, porque me falta a coragem. Falta-me um coração ainda mais forte. Falta deixar-me de ser tão coração burro e mole.
Tantos sonhos que perduram em mim, e que me matam. Não concretizei um único deles, e, mesmo sabendo que a culpa não é tua, pergunto-te todos os dias “Porquê?”
Oh, mãe.
Descobri o amor da pior forma. Descobri o amor a doer. Tantas formas de amar, e tinha de ser logo a doer.
A vida insiste em testar-nos.
Espero que me testem contigo lá no fim do nosso fim. É que o meu apego a ti é maior que o próprio universo, e receio morrer de não te ter.
Fica, por favor.
Mais anos.
Feliz Aniversário!

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