Setas que voam mas não se vêem




Facas que me espetam. Caramba, as pessoas não têm noção do que é gostar de alguém assim. Tão duramente. Tão friamente. Ter de usar o orgulho orgulhosamente para não cair em desespero. Mas, desesperadamente encurralada eu encontro-me fria. Estou tão farta de querer sentir as coisas naturalmente e deixá-las fluir com toda a sua beleza, mas não posso. Não me permitem. Não estou realmente permitida a isso. Não gosto disso, e detesto ter de usar palavras tão rudes, mas as lágrimas não escorrem e o papel é que paga. E paga caro. A mente está sobre-lotada, e o coração quer bater mas está congelado. O coração tem calor, mas não o suficiente para se descongelar sozinho. 
Não sou uma vítima de todo. Sou uma aprendiz da vida. Sou uma guerreira, contra o meu próprio coração. Tantos amores por sentir, de tantas dores para fugir. Quero viver, mas custa dizer tudo o que está cá dentro. 
Para mim não vale a pena amar, mas acabo sempre por me apaixonar pela pessoa mais improvável. 
Acabo por gostar mais do que aquilo que deveria. Acabo por morrer sem perceber, mas contínuo viva. Cheia de medo, mas com certa coragem embora não demonstre. Luto o bastante durante pouco tempo, e depois canso-me e vou embora destroçada, vendo que a coragem não valeu de nada. Não caio de todo em mim. Tento não ver a realidade. Tento fingir o sorriso mais belo da minha alma.
Mas amor, porque fazes isto? Fazem sempre o mesmo, como não queres que fale assim? Deixam-me a fugir de mim mesma, com medo de amar. Fazem com que tenha raiva do amor, e o amor é a coisa mais bonita do mundo.  A coisa mais pura e verdadeira.
Sou carente, eu sei. Sou estúpida por precisar tanto de mimos e atenção, não nego. Sou uma chorona sem lágrimas. Uma cabeça dura. Sou um coração mole, que se assusta mas finge que não. Usa o orgulho para camuflar a guerra interior. Ama, mas foge. Deixa-se levar rapidamente pelos impulsos do que sente e depois trama a própria consciência de viver. Não vale a pena tentar voltar atrás, é tarde demais. O coração já caiu na armadilha dessas setas que voam mas não se vêem.
Porquê viver assim? Porquê gostar tanto assim? Porquê querer tanto assim? Não faz sentido. Pelo menos para mim não pode fazer sentido, porque as coisas duram menos tempo do que aquilo que sinto, e não vale tanta intensidade para tão pouco. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

a dor é a nossa melhor arma

To a man

Busca