Voltei a escrever






Se for falar o que realmente sinto vou ferir muito as suscetibilidades.
Quero mostrar a todo o mundo que estou bem, e que deixei de ser a menina filósofa e que sentia tudo ao mais ínfimo detalhe.
A verdade é que não deixei de ser essa pessoa.
Simplesmente passei a tentar enganar-me a mim própria na busca de menos dor.
A verdade é que o mundo está cada vez mais cruel e a única forma de procurar lidar com isto tudo é congelar-me a mim própria.
Existem noites que nem consigo dormir da ansiedade que tenta a toda força voltar e eu não deixo. Não deixo porque como insisto em ser difícil, nem a ansiedade me consegue bater.
A verdade é que no meio do vai e vem destes sentimentos existe uma luta constante para conseguir estar bem. Para conseguir aceitar este mundo. Para conseguir aceitar a vida como ela é. Para aceitar a sociedade na sua forma real.
Desde muito pequena sempre me destaquei, — na altura não de forma positiva, — por ser tão diferente e madura para a minha idade. 
Considerava-me demasiado adulta no meio das crianças. Não entendia a cabeça delas. Não entendia o porquê de certas conversas e atos da parte delas. Contudo eu era criança e tinha de lidar com isso. Na altura eu não me preocupava nem queria integrar-me. Eu só queria ser eu e detestava que me tentassem mudar. 
Cresci sendo assim. Passei pelas minhas fases de ansiedade doente e depressões... Que me matavam por dentro. Cresci a tentar entender porque nunca estava bem.
Passado algum tempo comecei a perceber — já depois de adulta —, que tinha de me adaptar à sociedade. Inicialmente não me custou, porque já tinha percebido pelo processo todo da minha caminhada que assim teria de ser. E só que assim conseguiria chegar a algum lado e viver com menos dor.
Ponto da situação: é uma verdade muito dura e que a maior mentira é que se vive com menos dor.
Aprendes a integrar-te –, porque assim és Obrigada –, mas nunca aprendes a matar o vazio que fica dentro de ti depois disso.
Olho em volta e não vejo nada que eu diga que vai mudar este sentimento de vazio que sinto.
A sociedade quebra-me por dentro.
Outras coisas quebram-me também.
No meio disto tudo sou muito alegre, mas vazia.
Finalmente decidi abrir-me em texto.

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