Pensamentos






Num tal dia, com nuvens cinzentas. Corações frios, e mesmo assim, quentes.
Não imaginava sequer poder encontrar tanta coisa dentro de um só corpo.
Fintava os olhares que me cruzavam. Não entendia o porquê.
Eu estava ciente do que queria. Ser alguém.
Jamais ser perdida nos termos do tempo, que não apaga as memórias.
Hoje, depois de ontem e uns quantos antes de ontem.
Sou tão madura, e tão pouco sabedora do que me espera para lá das horas que nunca vivi.
Têm lá eles noção de quantas transformações eu já sofri por dentro, mesmo nunca tendo alterado nada daquilo que sou por fora.
Cresceram uns centímetros de cabelo. As curvas tendem, de vez em quando, a fugir um pouco à regra. Os olhos finalmente mantêm a cor certa. Mas, ainda assim, não mudei assim tanto.
Por dentro, descubram-me.
Fiz plásticas, e desmanchei. Cosi bocados. Cortei trapos. Enfiei-me num canto, e fugi para o deserto.
Já imaginaram se todos nós tivéssemos a oportunidade de ver um filme de cada vida que habita este pouco de terra que pisamos?
Somos tão pobres, por nos acharmos tão grandes. Somos uma migalha no meio das estrelas que nos fazem questionar isto tudo.
Dançamos ao som daquilo que está acima de nós. Nem nos apercebemos.
Na verdade, somos só uns bonecos a ser experimentados. Quando já estivermos demasiado usados pela vida, partimos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

a dor é a nossa melhor arma

To a man

Busca