Vagueando, talvez



Penso em nós, e no futuro da humanidade. Quero ser recordada como uma vitória. Alguém que amou, alguém que deu o sangue. Quero ser, e fazer aquilo que amo. Sem mudar nada, mas crescer por dentro.
Distingue-se agora o mundo pela hipocrisia e falsidade, porque o resto já não interessa. Antigamente, ainda me lembra: as pessoas eram mais vivas.
Tinham cor na alma e voz no coração. Falavam alto, mas com razão. Eram meninos e meninas do peito, alguém de verdade.
Hoje as lagrimas custam a sair. Ou porque já se derramou demais. Ou porque transparecesse, agora, a verdade de não sentir. De não sentir amor, nem ser fiel ao mundo que se pertence. É ser nu de espirito, e cru da própria razão que não se tem.
As pessoas mentem. Sem motivos que justifiquem as aparentes razões. No fundo da justificação encontra-se a falsa fé que não abona nem compreende porcaria alguma.
Vejo agora o mundo a desmoronar pelas dissonantes juras e promessas.
Pelas frívolas dores, que se foram com o tempo e ficaram os rancores e ressentimentos nas almas do mundo inteiro.
Na confiança das palavras que se pregam, não existe a primeira palavra que acabo de pronunciar. Pronunciei-a com o desejo de existir, mas já não existe porque as pessoas quebraram-na. Fizeram-no por meio da traição dos sentimentos sinceros de amizade. De amor. De paixão. Com juras fictícias, destruíram as boas almas que agora vagueiam por aqui em busca de salvação.
Procuram a concretização dos sonhos que se perdem se fizerem apenas uso da justiça e do tempo que traz a verdade ao de cima.
Trazia antes, não mais. Agora ou fazem-se à vida e passam por cima dos bons, ou serão um nada que não se vê porque o mundo não está para isso.
Não está, de maneira nenhuma, adaptado às boas emoções.
Querem pintar o mundo de cor-de-rosa, sabendo que é negro o que lhe está por dentro do núcleo central. Querem enganar tudo e todos, mas já toda a gente sabe que o mundo não está para brincadeiras.
Todos brincam, até ao dia de se sentirem o jogo. Aí a sensação altera-se pelo paladar picante e ardente que não se suporta nem com a água que lava o que está sujo, porque é pior que provar malagueta – é provar do próprio veneno. E tudo vira a brincadeira ao contrário.
Nada nem ninguém pode alterar o rumo das coisas, porque - embora o mundo esteja virado ao contrário, onde domina a maldade e a possessividade de poder -, um dia qualquer será feita a justiça que o mundo inteiro anseia livremente.

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