Quero ou não quero? Eis a questão.




Não, não quero. Não quero habituar-me à rotina do dia rotineiro. Não, não quero. Porque um dia rotineiro é um dia sem vida, triste. Não quero porque um dia rotineiro é um dia de choro constante. Um dia rotineiro consiste no acordar choroso, na tarde lamentosa e no deitar morto e sem brilho. 
Não, não quero. Não quero habituar-me às mesmas frases todos os dias, as mesmas palavras todas as horas. Aquelas que eu própria digo e que me deitam abaixo. Aquelas frases que eu própria construo porque preciso de desabafar mas nem fazem sentido.
Não, não quero. Não quero interpretar-me mal a mim própria. Não quero dar os meus sentimentos ao acaso, quero demonstra-los de forma simples mas com sentido. Quero viver um dia de cada vez, aproveitar as horas de luz como devem ser aproveitadas; sorrindo ao acordar um dia, às três da tarde no outro, acordar do nada às quatro da matina e soltar um sorriso, acender as luzes do quarto e correr para a rua a gritar “amo-te”; na noite posterior começar a dançar na cama, levantar-me de olhos fechados e cantar até ser hora de acordar e deixar-me dormir com um sorriso na cara.
Sim, eu quero. Quero viver a vida sem preocupações, sem uma hora para nascer nem uma hora para morrer. Sem uma hora para amar, e quando amar vou ser imparcial a bens materiais, a beleza exterior ou algum meio de fama ou poder. Quero viver sem uma agenda recheada de festas de glamour, mas sim com festas que poderei construir com simples momentos de amor, amizade; nada programado. Todos divertidos, em casa - sorrindo; junto à lareira; ou na praia, à beira-mar…
Não, não quero. Não quero ter espaço para ódio na minha vida. Não quero ranger os dentes por ver um personagem que eu tenha metido nojo e choro misturado.
Sim, eu quero. Eu quero perdoar quem pedir essa oportunidade; quem me der um simples dedo, mesmo que me tenha atirado pedras de mármore no passado, eu não irei julgar e serei capaz de dar um braço inteiro; eu irei perdoar simplesmente; não importa se continuarei a dizer um ‘olá’ ou não. Sim, importa é que não eu guardo rancor. Importa que terei um coração forte, mais lindo que qualquer outro, porque será puro, imaturo, inocente.
Pois quando se atinge a maturidade deixa-se de ser inocente; aprende-se de forma errada com a maldade dos outros o que devia ser um exemplo para não fazer a mais alguém. Mas o instinto do ser racional é a vingança. 
“Aprendi com os erros, vou vingar-me”. 
Não, isso não foi aprender, foi errar e descer baixo, caminhar de queixo caído e nariz empinado.
Na vida temos chão e teto. Não podemos nem descer muito baixo porque ninguém vai querer esforçar-se por ti e ajudar-te a levantar de tão longe que estás; nem poderás subir muito alto porque a queda é sempre maior que o salto que deste para chegar ao cimo desse alto patamar. O melhor da vida é o que está entre o chão e o teto.
É a pura e constante felicidade que um ser humano racional obtém com simples coisas, simples momentos, simples gestos.
Quem está abaixo do chão julga que tudo o que tem não é nada, e nunca está satisfeito com o que tem. Lamenta-se da vida ‘porca’ que leva. Quem está acima do teto tem tudo mas quer sempre mais, mais e mais; e julga que o poder material é realmente a sua fonte de alegria.
Não! É o grito à alma que pensa nisto.
Não! É o grito à alma a qual eu chamo à atenção.
Não! É o grito à alma à qual eu explico que não estou a querer que esta mude a sua personalidade, a sua perspetiva de vida.
Não! É o grito à alma à qual eu digo que apagar o passado é impossível.
Mas sim! É um grito forte e verdadeiro. Tu podes esquecer esse teu passado, guardá-lo noutra compartição do teu coração, podes esquecer a maldade, o interesse, a inveja, o medo, a inferioridade e a superioridade e podes seguir em frente, simplesmente por outro caminho que te levará à pureza e felicidade na tua vida, que não será nada rotineira nem complexa.
Porque uma vida sã e pura é cheia de sorrisos verdadeiros e inocência. Nunca choras de tristeza com bons sorrisos e bons sentimentos; apenas de alegria.
A única diferença da imaturidade de uma criança para a imaturidade de um adulto é que uma criança chora por coisas simples que um adulto conhece e não são importantes para uma pessoa vivida; mas que os pais lhes podem dar sempre muito facilmente; porque os pais conseguem controlá-los com simples gestos: mimos e conforto, proteção.
Um adulto chora por amor; chora por problemas da vida que muitas vezes lhes levam a problemas mais graves – suicídios; que acabam com a oportunidade próspera de felicidade que esta pessoa poderia ver em breve na sua vida.
Posto isto, não me quero esquecer desta minha maneira de pensar, porque é importante para mim e para toda a gente que me rodeia. É esta a base da minha futura felicidade.
Não, eu não quero deixar de ser criança feliz e inocente dentro de mim.
Sim, eu quero apenas deixar o tempo correr em passos leves e compassados, e deixar esta criança alegre viver dentro de mim, sorrir a toda a hora com bonitos gestos e só pensar em coisas boas, e sonhar! Sonhar muito, pensando sempre na concretização destes sonhos de precoce pensamento que sempre me fizeram brilhar de alegria.
Não, eu não quero amadurecer e ficar com o coração duro como pedra, gelado como gelo, nem frágil como vidro. Quero simplesmente ser forte, madura e inocente, como uma mulher apaixonada, sonhadora e feliz.
Isto será a melodia alegre da minha vida com vida e não a rotina triste de uma vida sem vida.

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